sábado, janeiro 28, 2012

Eric Clapton Por Ele Mesmo





...fechando a série das minhas "leituras musicais" de 2011...

Essa foi uma releitura, tenho esse livro a um bom tempo, na pressa de escolher algo para ler durante uma viagem ao Rio de Janeiro para assistir ao show do próprio Eric Clapton saquei-o da estante. A edição é de 1993.

Eric Clapton Por Ele Mesmo é o vigésimo título de uma série lançada pela Editora Martin Claret, os demais volumes apresentam outros ícones do mundo das artes, bem como políticos e pensadores e apesar do que sugere o título, não se trata de um texto assinado pela personalidade enfocada, o "por ele mesmo" fica por conta do conteúdo de entrevistas. O livro é uma espécie de clipping, já que reúne uma coletânea de recortes extraídos de matérias publicadas em jornais, revistas e outros livros. O texto é disposto em duas colunas por página numa tentativa de tornar a leitura “fácil” e “agradável” como diz a nota introdutória da editora que sempre teve um perfil meio popularesco mesmo, tanto na formatação de texto quanto nas capas dos seus livros (no caso dessa série até que não chegam a ser das piores, mas como já disse o escritor Hermann Hesse, “as capas servem para expor o livro na vitrine e vender, eles devem ser encadernados”, mas não acho que esse é o caso para as edições da Martin Claret).

O autor de Eric Clapton Por Ele Mesmo é na verdade o jornalista e pesquisador Ayrton Mugnaini Jr., um "velho conhecido meu" por outros livros que ele assina sobre músicos brasileiros e estrangeiros, bons trabalhos, diga-se de passagem. Ele escreveu os capítulos “Um Estudo” sobre a carreira e origens musicais de Clapton, o “Perfil Biográfico” e a “Cronologia”.

O capítulo intitulado “Por Ele Mesmo” é composto por uma série de entrevistas e recortes de declarações de Clapton à imprensa e como não poderia ser diferente, é a cereja do bolo, contendo uma longa entrevista à revista Guitar World da época do lançamento do disco Journeyman (1989). Uma entrevista publicada originalmente pela Rolling Stone é da época do lançamento de 24 Nigths (1991), álbum duplo ao vivo com registro de shows no Royal Albert Hall em 1990 e 1991 que coincide com o período da então recém terminada excursão com George Harrison no Japão que também rendeu um álbum duplo ao vivo (e por isso mesmo o ex-beatle acaba sendo o tema principal dessa entrevista), sendo que isso tudo ainda ocorreu pouco tempo depois da trágica morte de seu filho Conor de apenas quatro anos que caiu do 53º andar do prédio em que morava com a mãe em Nova York. A terceira e última dessas entrevistas mais longas foi dada ao jornal O Globo na época de sua primeira vinda ao Brasil em 1991 que também rendeu um capítulo inteiro intitulado “Clapton No Brasil”.  

Na sequência, tem o capítulo “Por Outros” que apresenta pequenos comentários de críticos, músicos e amigos sobre o guitarrista. Para fechar, um capítulo de “Curiosidades” e outro com a discografia.

O livro resulta num bom clipping da carreira de Clapton e o trabalho de pesquisa do autor é bastante eficaz (especialmente em se tratando de uma época em que as informações não se encontravam facilmente disponíveis com uma meia dúzia de cliques), para melhorar, esse livro costuma ser encontrado com um preço super em conta.  

quarta-feira, janeiro 25, 2012

O Livro de Ouro da História da Música - Otto Maria Carpeaux




...ainda repassando minhas "leituras musicais" em 2011...

Ganhei este livro de presente da minha amiga Jéssica numa madrugada de domingo em janeiro passado, poucos minutos após colocar os pés na cidade de Porto Alegre pela primeira vez. Desconhecia até então a grandeza da obra de Carpeaux, mas assim que comecei a lê-lo vi que seria um livro fundamental em minha vida.

Otto Maria Carpeaux nasceu em 1900 na Áustria onde se formou em Matemática, Física, Química, Filosofia e Letras na Faculdade de Viena tendo estudado paralelamente História, Sociologia e Música (sim, você leu certo e o autor do blog não está louco, ele estudou isso tudo mesmo). Em 1944 naturalizou-se brasileiro, sendo que chegou aqui em 1939 fugindo da ocupação nazista na Bélgica onde havia se estabelecido em 1938 após exilar-se de sua terra natal pelo mesmo motivo.

Publicado originalmente como Uma Nova História da Música em 1958 pela Editora Zahar e tendo uma edição atualizada pelo autor em 1968 quando ainda não tinha o pomposo "livro de ouro" no título acrescentado futuramente pela Editora Ediouro, mas que faz jus completo ao trabalho do autor que tem ainda o subtítulo Da Idade Média ao Século XX já que Carpeaux defende que a música da Antiguidade não teve influência na música ocidental e define a Idade Média como ponto de partida de sua narrativa. O livro perpassa a história da música erudita de maneira muito objetiva sendo que além de narrar os acontecimentos, Carpeaux acrescenta suas visões críticas (embora ele as apresente como um consenso e eu não concorde com boa parte delas) de cada compositor e estilo, seguindo a ideia de uma linha evolutiva da música ocidental. 

Assim como foge da função didática e das explicações técnicas já que como ele mesmo esclarece na introdução não destinar a obra especificamente ao músico profissional, ele também evita as explanações "poéticas" tão comuns quando se trata de falar da maioria dos compositores eruditos que ganham por aí biografias extremamente romanceadas por alguns autores (Beethoven talvez seja a maior vítima disso). Mesmo com toda sua erudição, a escrita de  Carpeaux é simples e direta (porém, repleta de elegância) nesse livro que serve muito bem como um guia de cada estilo e seus principais compositores. Nos últimos capítulos ele inclui uma cronologia de compositores e das obras mais marcantes da história da música erudita. 

Mesmo lido há apenas um ano atrás, tenho o aberto regularmente e revisitado algumas passagens.  

sábado, janeiro 21, 2012

Each One Believing - Paul McCartney On Stage, Off Stage and Backstage


                         

...continuando a repassar as “leituras musicais” do ano de 2011...

Each One Believing é um livro de fotos da turnê mundial de Paul McCartney de 2002-03, lançado em 2004 pela Chronicle Books. Bill Bernstein que trabalha com Paul desde a Get Back Tour de 1989 é o autor das fotos ao longo das 211 páginas do livro que mostram Paul, banda e sua enorme equipe (só na montagem de palco chegam a ser mais de 140 envolvidos) que inclui roadies, técnicos de som, iluminação e vídeo, além de seguranças, motoristas, cozinheiros, divulgadores, promotores, entre outros assessores, nos bastidores e no palco, sem esquecer do público também merecedor de alguns cliques.  Heather Mills, então esposa de Paul, se faz bem presente no livro que tem formato grande (28,5 cm x 23,5 cm) e como deve ser num livro de fotos, o papel é de alta qualidade numa produção esmerada em todos os detalhes.

Entre os concertos focalizados estão as apresentações em Nova York no Madison Square Garden em favor das vítimas do 11 de setembro, no Coliseu em Roma, na Praça Vermelha em Moscou, em sua cidade natal, Liverpool onde ele encerrou essa empreitada e mais algumas dezenas de shows ao redor do mundo.
  
Mesmo se tratando de um livro de fotografias ele é recheado de textos e entrevistas com Paul, sua banda formada por Rusty Anderson, Brian Ray, Abe Laboriel Jr., Paul "Wix" Wickens e boa parte do pessoal da equipe que revelam questões técnicas da produção ao mesmo tempo em que traz casos por vezes banais, mas que não deixam de ser interessantes para quem já leu tudo (ou quase tudo) sobre o artista e já não encontra novas informações com frequência. Por exemplo, você algum dia desconfiaria que Paul e banda pudessem cantar uma música dos Monkees como aquecimento de voz antes de entrarem no palco? Esse é o tipo de curiosidade bacana que o livro tem. Até alguns itens do cardápio vegetariano preparado pelos cozinheiros que viajam com a tour são citados. As fotos mais interessantes sem dúvidas são as de bastidores já que Bersntein teve acesso irrestrito e clicou cenas às quais outras lentes não teriam acesso.

É um belo registro da tour. Nas últimas páginas o livro tem uma espécie de guia com alguns termos usados por Paul e equipe no dia-a-dia das turnês. Um exemplo? TOUR VIRGIN: é usado para designar um membro da equipe que está participando de uma turnê com eles pela primeira vez. E o livro praticamente faz com o que leitor se sinta assim acompanhando o "por trás do palco" de uma tour do velho Macca.



Só para constar: não levem em consideração a péssima qualidade de definição da foto acima extraída do livro, ela é resultado de um Print Screen e de uma edição no ruim e velho Paint, a qualidade no livro é de primeiríssima. 

quarta-feira, janeiro 18, 2012

2011 - Os Discos do Ano



Não se deixe levar pelo título enganoso deste post, ele está longe de ser uma daquelas listas picaretas de “melhores” do ano, o fato é que resolvi conferir o que teve de lançamentos de discos em 2011 e descobri (eu já sabia) que além de não ouvir quase nada do que rola na atualidade (até os lançamentos de alguns prediletos da casa ainda não caíram em minhas mãos como o disco do Clapton com Wynton Marsalis e o ballet Ocean´s Kingdom composto por Paul McCartney), o Rock se fez mais presente em livros e shows do que discos em minha vida em 2011, mas a idéia aqui não é outra senão apresentar os discos que me pintaram no ano que se passou, independente do ano em que foram lançados. A lista dos que me lembrei de ter adquirido e valem a pena ser citados e convidados a serem ouvidos é essa:

Nei Lisboa - Vapor da Estação (ao vivo) - 2010

CD promocional lançado em comemoração aos trinta anos de carreira do músico gaúcho  Nei Lisboa juntamente com a turnê de mesmo nome, a qual assisti a duas apresentações, uma em BH em 2010 e outra em 2011 em Porto Alegre que em breve será comentada aqui na lista dos shows que vi no ano passado. O show que consta no disco foi gravado dentro do Projeto Toca Brasil em São Paulo no ano de 2004 e traz canções como Telhados de Paris, Baladas, Dirá, Dirás, Pra Te Lembrar e Cena Beatnik, a única faixa inédita do disco é Vapor da Estação e foi gravada em estúdio em Porto Alegre em 2010. Pop, regional e minimalista. Nei é genial.

Obs: esse cd se trata de um disco de divulgação para a imprensa e foi vendido apenas em alguns shows do Nei, portanto não sei se ainda tem como adquiri-lo facilmente. De qualquer forma os que se interessarem dêem uma passada no site oficial: http://www.neilisboa.com.br/

Beethoven - Complete Works (box com 85 CDs) 2011 - Brilliant Classics

Um desejo antigo era adquirir a obra completa do meu compositor predileto e uma barganha num site gringo ajudou a resolver o problema. Só não sobrou tempo ainda para ouvir tudo como se deve, mas do que ouvi posso destacar a presença dos pianistas Alfred Brendel, Clara Haskil e Friedrich Gulda, o violinista Arthur Grumiaux e o violoncelista Heinrich Schiff. Além das obras mais consagradas pelas quais o compositor é conhecido como as suas sinfonias, quartetos de cordas, as sonatas e concertos com grande destaque para o piano, violino e violoncelo, foi uma grata surpresa tomar conhecimento de algumas obras "menores" de sua lavra como umas peças vocais curtas (que não são necessariamente o ponto alto de sua obra) das quais eu destaco as Irish Songs, algumas composições para grupo de sopros e o uso de bandolim na obra do grande mestre que eu também desconhecia. De repente, quando terminar de ouvir os discos volto a comentá-los aqui.  

Joseph Haydn - Signature Classics (box com 5 CDs) 2008 C&B Productions

Espécie de Greatest Hits do compositor esse box reúne algumas das sinfonias mais conhecidas de Haydn, um dos mestres (pero, no mucho) de Beethoven. Entre as obras, as sinfonias: L' Impériale N. 53 em D, Suprise N.94 em G, La Poule em Gm, The Clock N.1O1 e a London Symphony N.104 em D; e o Quartetos de Cordas N.62 em C "Emperor Quartet". Na interpretação, o Caspar Salo Quartet, a Orquestra Sinfônica de Berlin que aparece numa série de danças germânicas e London Festival Orchestra, entre outras orquestras europeias.


Works Of Stravinsky  - Sony Classics (box com 22 CDs) 2007

Presente da mamãe, esse é outro achado, a obra completa do compositor Igor Stravinsky regida por ele mesmo em sua quase totalidade e com sua presença ao piano em algumas peças. Para os estudantes de música os trechos de alguns ensaios são um ótimo bônus que mostram Stravinsky corrigindo algumas interpretações dos músicos e sugerindo como deve soar o fraseado de determinadas passagens. Na maior parte das obras a orquestra é a Columbia Symphony Orchestra com destaque para CBC Symphony Orchestra que também aparece com frequência e a Royal Philharmonic Orchestra na ópera The Rake's Progress. Quando Stravinsky não comanda a batuta quem rege é seu amigo Robert Craft. Os notórios ballets, The Firebird, Petrushka e Le Sacre du Printemps dispensam comentários, pelo menos os meus, que cito aqui a Sinfonia em E-flat Op.1 e as Miniature Masterpieces entre as que mais me agradaram no pacote que ainda também não terminei de ouvir. Ah, não poderia deixar de destacar a presença do grandessíssimo violonista brasileiro Laurindo de Almeida na série Four Songs.


Paul McCartney - RAM - 1971 EMI

Ok, minha lista de discos de 2011 inclui um álbum lançado 40 anos antes, mas eu disse que era simplesmente uma lista de discos adquiridos no ano, né? E por ironia quase que eu não incluía um disco de rock no pacote. Esse foi um presente do Sr. Francisco que é um velho bêbado que costuma frequentar os mesmos “butecos” (e por coincidência também as mesmas mesas de “buteco”) que eu. Disco do cara provavelmente mais citado neste blog, veio em boa hora numa edição em vinil que já tinha espaço reservado na estante.
Too Many People, Heart Of The Country, Uncle Albert/Admiral Halsey com arranjo do velho parceiro George Martin (que acabou por ganhar o Grammy de melhor arranjo pop do ano) estão nele, além de uma das minhas canções prediletas e pouco lembradas de Paul: Dear Boy. De quebra uma daquelas baladas como só Paul sabe fazer, The Back Seat Of My Car na qual o baterista Denny Seiwell que considera Ram o melhor disco já produzido por Paul, diz ter se inspirado na música brasileira para gravá-la.

Em tempo: a expressão Ram On, título de uma das músicas do álbum Ram (carneiro em inglês, o bichinho que Paulie segura na capa do disco) significa "entrar de cabeça", "ir fundo", "meter a cara", "ser positivo" então essa fica sendo a mensagem (ainda que tardia) aos leitores do rockngeral para o ano que se inicia... e paciência, muita paciência... aliás, quem tiver p'ra vender me avise que eu 'to comprando. 

sábado, janeiro 14, 2012

50 Anos a Mil – A doce vida bandida de Lobão



O livro 50 Anos A Mil, autobiografia de Lobão publicado pela Nova Fronteira pode figurar tranquilamente ao lado das autobiografias de Keith Richards e Eric Clapton (ambas já comentadas aqui, sendo que o próprio Lobão citou o livro assinado por Clapton como uma influência para escrever sua biografia) no que tange à sinceridade empregada por ele para contar sua história.

Lobão que sempre foi um cara bom no uso das palavras não decepcionou e escreveu um livro realmente digno de nota em parceria com o jornalista Cláudio Tognolli que também é responsável pelo trabalho de pesquisa das matérias publicadas na imprensa inseridas no livro que confirmam a veracidade da história (em boa parte quase inacreditável mesmo) contada por Lobão.

Nunca tinha lido uma biografia com a qual me sentisse tão envolvido com os fatos porque apesar das quase duas décadas de diferença de idade em relação ao músico, acompanhei toda sua trajetória a partir do estouro da música Me Chama em 1984, passando pelos lançamentos de todos os discos subseqüentes como o marcante Vida Bandida (que ganhei de presente de um amigo de colégio), as prisões, a apresentação polêmica no Rock In Rio II, a briga com as gravadoras, o lançamento do emblemático A Vida É Doce pela sua gravadora Universo Paralelo (quando assisti a uma palestra sua em Belo Horizonte e até dei uma "palinha" com ele, lembrando a letra de Help! dos Beatles). Enfim, a cada nova estória desse período para cá eu me inseria no contexto lembrando o que estava fazendo na época, recordando muitas de suas canções, várias inclusive que eu costumava tocar no violão como Chorando no Campo, Por Tudo Que For, Sem Você Não Dá, Decadence Avec Elegance, Tudo Veludo e por mais tristes e cruéis que possam ser algumas passagens da vida de Lobão na maior parte do tempo me vinham boas lembranças e pela impressão deixada pelo livro para ele também foi assim. Vida bandida! Vida louca, vida breve! Dolce Vita! A vida é doce...

sábado, janeiro 07, 2012

Vida - Keith Richards (ou Manual de Sobrevivência de um Rolling Stone)



Na tentativa de tirar o atraso do blog que ficou praticamente parado durante todo o ano de 2011 darei uma repassada aqui em alguns shows, lançamentos de discos, livros e acontecimentos no universo do rock e da música em geral ocorridos nesse período. Em alguns casos é só para lembrar, em outros como nos discos e livros fica a dica para quem ainda não ouviu ou leu.

Começo então com uma das melhores leituras do ano que foi a autobiografia de Keith Richards que embora lançada no fim de 2010, eu li em 2011. Com o título simples e incisivo de Vida (Life no original editado pela Little, Brown & Company), o livro foi lançado no Brasil pela Editora Globo. Numa narrativa muito boa (coordenada por James Fox) e recheada de detalhes, ele conta a sua história e a dos Rolling Stones como nenhum biógrafo poderia fazer, do ângulo de quem viu os acontecimentos de dentro; cheio de humor e da boa malandragem que a vida o ensinou.

Mesmo abordando muito o lado pessoal (por mais que eu leia biografias com certa freqüência esse aspecto não costuma ser o que mais me interessa a não ser quando os fatos citados realmente influem e refletem no trabalho do biografado ou fornecem pistas para compreensão de sua obra), Keith capricha nas informações sobre composições e nas gravações da banda, seu estilo de tocar guitarra e ainda alguns dos equipamentos usados por ele. Sem fazer restrições ele solta tudo, desfaz o mito de Brian Jones, fala das drogas de uma maneira aberta e honesta, assim como Clapton fez em seu livro que ao contrário do que se possa pensar, em ambos os casos está muito longe de estimular o seu uso (os dois viveram longos dramas para se livrarem do vício em heroína). Todas as polêmicas em que se envolveu na vida estão lá, as prisões, o casamento conturbado com Anita Pallenberg, as loucuras nas estradas numa época em que os esquemas de segurança eram bem diferentes de hoje, as lendas sobre as supostas trocas de sangue que ele teria realizado (confesso que eu mesmo cheguei a acreditar nisso durante um bom tempo). Ele ainda discorre sobre os desentendimentos com o amigo e parceiro de banda Mick Jagger, mostra um lado talvez inesperado de personalidades como Chuck Berry e Bob Marley e revela a parceria numa canção que começou a fazer com Paul McCartney há poucos anos atrás que acabou esquecida por eles.

Juntando tudo, o que temos é quase um manual de sobrevivência de Mr. Keith Richards (mas não vá tentar usá-lo, tenho a impressão que não daria certo com mais ninguém). Ele jura na orelha do livro que não se esqueceu de nada. Uma pena. Bem que ele poderia se lembrar de mais estórias para contar numa versão atualizada do livro.